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BIÓPSIA HEPÁTICA PERCUTÂNEA

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge CRM-SP 88.173

INTRODUÇÃO

   A primeira biópsia hepática para fins diagnósticos foi realizada em 1923. Desde então, a técnica tem sido modificada e, graças à sua  baixa morbidade e mortalidade, têm sido usada amplamente para diagnóstico na área de Hepatologia. A análise histológica é fundamental no diagnóstico de doenças como hemocromatose, hepatite autoimune, colangite esclerosante e cirrose biliar primária, sendo também  necessária no estadiamento e controle de tratamento das hepatites virais.

TÉCNICA

   São descritas três técnicas, a saber, percutânea, transjugular e laparoscópica, sendo que as duas últimas são indicadas em pacientes  com coagulopatia ou ascite, que não permitem a técnica percutânea. Em relação à esta, opto por realizar a biópsia pelas vias mais  seguras, a transtorácica e a subcostal (em casos de hepatomegalia), guiada por ultra-som (permite acesso à uma faixa mais larga de  parênquima hepático, reduz o risco de punção de órgãos adjacentes, especialmente em crianças, e melhora a escolha do local da punção).    Utilizo a seguinte técnica: os pacientes, em posição supina, são submetidos a venóclise periférica com administração lenta de soro glicosado a 5%. Após  limpeza local e colocação de campo estéril, o paciente recebe anestesia local  com lidocaína com epinefrina 1:20.000 guiada por ultra-som. A biópsia é  realizada com agulha trucut 16G (que combina a vantagem de baixo risco pelo  menor calibre e no entanto fornece material adequado ao exame  histopatológico), também guiada. Após o procedimento, são observados  clinicamente, sendo aferidos pulso e pressão arterial de 15 em 15 minutos nas  primeiras 2 horas e de 30 em 30 minutos nas 4 horas seguintes. Ao final da  observação (no mínimo 6 horas), são submetidos a novo exame  ultrassonográfico a fim de detectar líquido livre na cavidade abdominal. O  paciente somente é dispensado se não apresentar instabilidade hemodinâmica, líquido livre abdominal ou outras complicações.      Dependendo dos protocolos do serviço realizado, pode ser administrada  sedação prévia ao procedimento, com benzodiazepínico por via oral, ou a  sedação logo antes do procedimento (com benzodiazepínico e/ou fentanila). A  analgesia sistêmica (geralmente com peptidina) também pode ser realizada logo antes, durante o procedimento e/ou após se houver dor.  Cada uma dessas opções está relacionada a vantagens e desvantagens técnicas e de conforto.

SEGURANÇA

   A biópsia hepática percutânea é um procedimento seguro, sendo descrita uma taxa de mortalidade variando entre 0,1 e 0,01%, incluindo  pacientes com neoplasias e insuficiência hepatocítica com distúrbios da coagulação. De fato, a principal causa de mortalidade relacionada ao procedimento é a hemorragia, que se apresenta clinicamente nas primeiras 6 horas após a biópsia (mas há estudo sugerindo que a  hemorragia precoce ocorreria na primeira hora e que a alta seria segura após 1 hora). A dor é freqüente, mas geralmente bem tolerada e  localiza-se principalmente no local da punção e no ombro direito. A morbidade é baixa, sendo a mais comum dor intensa (1,5 a 3,0%),  hemorragias subclínicas (0,35-1,6%) e punção de órgãos adjacentes (0,01 a 0,1%). São considerados como fatores de risco no  procedimento a experiência do médico, a técnica utilizada (preferencialmente guiada por ultra-som) e o número de passagens (ou  tentativas).     A biópsia hepática percutânea guiada por ultra-som é portanto segura em pacientes selecionados, ou seja, excluídos aqueles com  condições que aumentem o risco de hemorragia (6 a 10 vezes), a saber, encefalopatia, ascite, insuficiência hepatocítica com icterícia  severa e evidência de obstrução biliar extra-hepática, coagulopatia significativa, doenças graves em outros órgãos (como insuficiência  cardíaca congestiva) ou idade avançada. A equipe de biópsia hepática do Dr. Ademar Yamanaka no Gastrocentro-Unicamp já tem  experiência em mais de 500 pacientes que foram submetidos a biópsia nestas condições e foram para casa no mesmo dia, sem  internação, com 0% (zero) de complicações (dados ainda não publicados).

BIBLIOGRAFIA

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Artigo criado em: 2003

Última revisão: 16/04/11